Volkswagen Magazine

Inovação

Ótima impressão.

Tecnologia 3D padroniza peças e gera menos resíduos para a natureza: bom para o fabricante e para o consumidor.

Texto Andrea Martins
Fotos Christian Castanho
Bobina de fios de plástico que alimenta a impressora. O material é aquecido e, derretido, é depositado (à esquerda) pela máquina de acordo com o desenho projetado no computador.

Em vez de tinta e papel, resina ou plástico. É com esses materiais que a impressora 3D constrói objetos, camada por camada. Essa tecnologia, com ares futuristas, veio para impulsionar muitos segmentos de mercado. E a indústria automotiva não poderia ficar de fora dessa revolução.


Na Volkswagen do Brasil, dois tipos de impressora 3D já fazem parte do dia a dia em diversos setores. Além das vantagens para a fabricante, trazem benefícios para os clientes e para o meio ambiente.

Na área de Engenharia de Protótipos, por exemplo, o equipamento auxilia técnicos e engenheiros a imprimirem peças em fase de desenvolvimento dos veículos e carros-conceito. Ou ainda modelos que possibilitam vislumbrar como determinadas partes vão ficar quando o automóvel for produzido em série.


Sua bandeja mergulha no tanque de resina líquida, descendo um décimo de milímetro por vez; ao mesmo tempo, o laser ultravioleta é projetado e endurece a resina, criando as peças. Pode-se criar itens com detalhes impossíveis de serem feitos manualmente, como vazados, estilo colmeia, meio círculo ou até uma esfera dentro de outra.

Uma das grandes vantagens do uso dessa tecnologia é a rapidez na produção de protótipos. Em poucas horas dá para “imprimir” algo como um difusor, por exemplo, que demoraria até dez semanas para ser feito sem impressora 3D. Com foco na sustentabilidade, o processo é “resíduo zero”: não há sobras ou rebarba de material na confecção.

 

Modelos como o up!, a Saveiro Cabine Dupla e o Fox foram concebidos com peças prototipadas em 3D. Na fase de desenvolvimento, difusores, spoilers, lanternas e faróis foram “impressos” com laser em um tanque de resina líquida fotossensível. O Gol GT Concept, apresentado na última edição do Salão do Automóvel de São Paulo, também teve componentes impressos tridimensionalmente.

 

Além disso, outro uso da impressão 3D
na Volkswagen do Brasil é na fase de Pré-Série, área que faz carros para controle de qualidade. Tudo é testado antes de ir para a linha de montagem. Nessa etapa, é usado um tipo de plástico para imprimir algumas peças dos novos modelos que  serão lançados no mercado.

Alguns modelos feitos com a impressora 3D impossíveis de serem produzidos manualmente, como vazados e estilo colmeia.

Os engenheiros também podem trocar informações entre diversas unidades da Volkswagen pelo mundo, que fabricam o mesmo veículo. Um modelo 3D criado por meio de um software na fábrica na Espanha, por exemplo, pode ser enviado on-line para ser impresso na unidade Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP).
 

A impressão 3D também facilita o trabalho de padronização. Com a impressão de protótipos ou partes usadas em carros na fase de Pré-Série para controle de qualidade, as peças impressas são mais precisas e uniformes. “O Gol feito em Taubaté ou Curitiba, ou o Golf vendido aqui ou na Alemanha, tem a mesma precisão e padronização”, comenta Jefferson Righetto, Supervisor da Fábrica Piloto Pintura e Montagem Final da Volkswagen do Brasil.
 

REFORÇO NA PRODUÇÃO

No dia a dia, a impressão 3D ganha espaço como ferramenta auxiliar dos funcionários. Todas as fábricas já têm impressora 3D. No departamento Fábrica Piloto Pintura e Montagem Final, da unidade Anchieta, por exemplo, a impressora produz dispositivos plásticos que ajudam os operadores na produção de veículos que estão em série. As linhas de produção do Gol e da Saveiro, por exemplo, já utilizam peças com tecnologia tridimensional para auxiliar a montagem dos veículos. Elas facilitam a localização e colocação corretas das partes e componentes na carroceria do automóvel.


Também conhecidas como chapelonas, essas peças (antes feitas manualmente) servem como moldes. Elas são apoiadas sobre a carroceria para orientar os pontos exatos onde o funcionário deve colar um logo, fixar o vidro, centralizar o painel de instrumentos, entre outras tarefas. “Quando eram feitas à mão, demoravam três dias para serem refeitas em caso de quebra. Agora podem ser impressas em 8 horas”, conta Luiz Peixoto, Supervisor da Fábrica Piloto Anchieta.

Vale lembrar que as peças para os carros em produção que serão vendidos aos clientes não são impressas. Continuam sendo fabricadas por fornecedores, montadas em linha e transformadas em veículos que vão circular pelas ruas – mesmo porque nem todas são plásticas. Mas na “Indústria 4.0”, a chamada quarta revolução industrial, com linhas de produção repletas de robôs e sistemas avançados de automação, as impressoras 3D são engrenagem importante no desenvolvimento dessa indústria no Brasil. Os avanços não param. “Este é um mercado que deve crescer”, reforça Renato Marchetto, Analista do Produto da Montagem Final de Protótipos da Volkswagen do Brasil.

3D EM TRÊS FASES

Na área de Engenharia de Protótipos, antes de serem “impressas”, as peças são projetadas no software Magics. O programa permite verificar peso da peça, dimensão, partes vazadas, entre outras características. Em seguida, o projeto é enviado para a impressora 3D do tipo SLA (Stereolithography Apparatus).
O equipamento trabalha com uma bandeja que vai “mergulhando” no tanque de resina líquida fotossensível, descendo um décimo de milímetro por vez. À medida que a bandeja desce, o laser ultravioleta é projetado e endurece a resina, criando as peças que vão compor o protótipo.
Nas fases de Pré-Série (que faz carros para testes de engenharia e qualidade) e de Processos (que cria dispositivos que auxiliam na produção de carros de série), a Volkswagen utiliza impressoras com tecnologia FDM (Fused Deposition Modeling ou Modelagem por Depósito de Material Fundido).
Antes da impressão, as peças são criadas no software Catia. Não é mais preciso ter a carroceria física para servir de modelo: basta o projeto do veículo em computador para desenhar virtualmente as peças que serão “impressas” em 3D. Bobinas de fios de plástico alimentam a impressora. O material é aquecido, vira uma espécie de “massa” e é depositado pela máquina, de acordo com o desenho criado no software.
O equipamento pode reproduzir quantas peças quiser, todas idênticas, 24 horas por dia.