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Gente

Gentileza em
forma de flor.

Para Helena Lunardelli, idealizadora do projeto Flor Gentil, arranjos são um veículo para entregar carinho e atenção a idosos. Acompanhamos um dia de atividades dessa delicada iniciativa a bordo de um SpaceFox.

Texto Fernanda Bottoni
Fotos Luciano Munhoz

Poderia ser uma tarde de domingo qualquer na vida de Maria Helena Faria Nogueira,

de 92 anos, moradora da Residência para Senhoras Lareira, no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Ao voltar de um passeio com o neto, ela se preparava para passar o resto do dia descansando quando foi surpreendida por um arranjo de flores. “É para mim?”, perguntou, surpresa, para a pessoa que a presenteou. As duas nunca tinham se visto, mas, pouco a pouco, engataram uma conversa boa. Em menos de cinco minutos, dona Maria Helena abriu o coração: “Às vezes, eu me sinto um pouco deprimida, mas aí penso em tudo o que tenho – meu filho, meu neto – e então só agradeço”, diz, pensativa, com um suspiro fundo. “As flores sempre me fazem pensar em coisas boas.”

O dia começa com a retirada da doação: flores que ontem decoraram um evento, em breve vão alegrar idosos em uma casa de repouso.

Novata na residência, dona Maria Helena chegou em dezembro e ainda não havia participado de uma ação desse tipo. Outras senhoras, veteranas, já viram isso acontecer algumas vezes, embora continuem mantendo o mesmo encantamento pelo gesto e pelo presente. Uma delas é Dagmar Baurich, de 74 anos, que rapidinho levou o arranjo para o quarto, toda animada. “Eu já sou emotiva, com flores então... meus dias com certeza vão ficar mais alegres.”

Para a florista Helena Lunardelli, as flores são um veículo para entregar carinho e atenção. Graças a ela é que domingos assim floridos ocorrem em lares para idosos desde 2010. A semente desse projeto brotou quando Helena percebeu que pessoas muito simples, que trabalhavam nos eventos que ela fazia, não se conformavam em ver tanta beleza indo para o lixo. “Para os floristas, pode ser natural comprar flores, montar um evento lindo e, depois de oito ou nove horas de festa, descartar tudo o que foi usado”, diz. “Era natural para mim também, até que tive uma crise de consciência e precisei fazer alguma coisa para acabar com esse desperdício”, conta ela, enquanto acomoda no porta-malas do SpaceFox dúzias de arranjos de flores que serão reutilizados. “Mas cabe coisa aqui, hein?!”, observa, entre uma frase e outra.

» Para mim, era natural descartar as flores, até que  me dei conta do desperdício. «

Helena Lunardelli, florista

» O projeto me fez ver um começo, um meio e um fim para o meu trabalho. «

Helena Lunardelli, florista

A caminho da Residência para Senhoras Lareira, em Pinheiros, Helena testa o sistema de Infotainment do SpaceFox.

Helena, que já era florista havia dez anos, conhecia muito bem o lado prático de seu trabalho e sabia que o material dificilmente poderia ser reutilizado em outros eventos. “Além de ser altamente perecível, um dia tem uma festa amarela; no outro, vermelha; e no outro, branca”, explica. Para preencher o vazio que sentia e ajudar o máximo possível de pessoas, ela criou o Flor Gentil, projeto que reutiliza flores de eventos e filmagens para levar alegria a idosos e pessoas de baixa renda.

 

Desde o início, no entanto, Helena sabia que não poderia depender só das flores dos seus eventos e precisaria do apoio de outros floristas e também de voluntários dispostos a doar tempo e atenção ao projeto. “Eu queria fazer visitas a casas de idosos semanalmente, de forma contínua, então mandei uma carta para outros floristas apresentando o Flor Gentil”, lembra. O site do projeto já estava no ar e nele os interessados  conheceram todos os objetivos.

Deu certo e a primeira doação chegou tão rápido que a florista mal sabia o que fazer. “Eu ainda não tinha mão de obra voluntária para fazer a triagem do material, montar os arranjos ou para entregar as flores”, lembra ela, que recebeu a ajuda de amigos e de pessoas que trabalhavam em seu ateliê. A primeira visita, ela admite, foi muito tocante. “Eu nunca havia feito trabalho voluntário antes”, afirma. “Tenho aprendido muito com isso.”

Um dos primeiros e mais dolorosos aprendizados foi que, mesmo nas casas de alto padrão, a quantidade de visitas que os idosos recebem é muito baixa. “Ainda assim, muitos guardam a florzinha para dar de presente aos familiares, quando eles aparecem”, conta. “É muito emocionante.” A opção por idosos, aliás, foi também puramente emocional. “Sempre tive uma relação muito especial com meus avós, adoro me sentar ao lado de pessoas mais velhas e ouvir histórias”, revela. Além disso, chamou a sua atenção o fato de muitas instituições fazerem trabalho voltado às crianças e poucas focarem os mais velhos. “Apesar de serem muito numerosos no Brasil, os idosos são um pouco esquecidos”, constata.

» Adoro me sentar ao lado de pessoas mais velhas e ouvir histórias. «

Helena Lunardelli, florista

As visitas do Flor Gentil aos lares costumam acontecer com intervalos de um mês. O período, que é curto para quem vive na correria do dia a dia, pode ser longo demais para quem já percorreu a maior parte do caminho. Essa foi outra lição aprendida por Helena. “Algumas pessoas que estavam ótimas em uma visita estão bem caídas na próxima, e outras que já não estavam tão bem... acabam falecendo antes de a gente voltar”, conta Helena, lembrando de uma senhora com quem ela costumava conversar nas visitas. Apesar dessas lições difíceis, Helena tem certeza de que o Flor Gentil não faz bem apenas para os idosos, mas para todos os que participam dele de alguma forma.

Na chegada à casa de repouso, voluntárias e idosas se emocionam: lições de vida para todos os envolvidos.

A psicóloga Paula Chaves Zapalá Pimentel, de 30 anos, concorda. Ela começou a trabalhar voluntariamente no projeto no dia 27 de outubro do ano passado, precisamente. “Era o dia do meu aniversário e eu troquei a festa pela oportunidade de ajudar alguém”, conta. “Chorei muito na primeira vez e quero continuar participando disso por muito tempo”, afirma. Na visita ao Lareira, seu envolvimento era visível. Além de entregar os arranjos, Paula  se sentava ao lado das moradoras da casa e ouvia todas as histórias que elas tinham para contar, atenciosa e pacientemente. “Quando venho aqui, saio com a certeza de que criamos problemas demais, a vida é mais simples do que isso”, afirma.

Toda semana o Flor Gentil recebe cerca de 50 voluntários como Paula. Alguns trabalham na retirada das doações, outros na triagem do material e na montagem de arranjos, além dos que, como ela, vão fazer as entregas, aos domingos. O projeto também conta com mais de 40 doadores de flores e, regularmente, visita 18 casas de idosos – desde as de alto padrão até as mais carentes de recursos. Além dessas visitas, o projeto coordena ações para pessoas de baixa renda, como o Dia das Mães na pediatria do Hospital das Clínicas, o Dia da Mulher em penitenciárias e ainda iniciativas pontuais voltadas a crianças e adolescentes com aids e até a meninas carentes que querem fazer uma festa de 15 anos.
“O Flor Gentil me fez ver um começo, um meio e um fim dentro do meu trabalho”, declara Helena, que hoje é incapaz de se imaginar jogando flores lindas no lixo. Mais do que isso, o que ela quer mesmo é que a iniciativa dure além da sua própria vida e continue aí por muitos anos. “Eu fico bastante emocionada quando penso que idealizei alguma coisa que vai continuar quando eu não estiver mais aqui”, afirma. Que assim seja. E, diante de tanta gentileza, o melhor que podemos fazer é seguir o exemplo da dona Maria Helena, lá do início do relato: suspirar fundo e só agradecer.

Sobre o SpaceFox

O SpaceFox é perfeito para quem precisa de espaço mas não abre mão do conforto. Com o ARS – sistema de banco traseiro rebatível e corrediço (encosto e assento) –, seu porta-malas fica enorme. Os requisitos de segurança também fazem bonito. Ele tem airbag duplo para passageiro e motorista e, dependendo da versão, é equipado com a tecnologia M-ABS, que inclui no sistema ABS a possibilidade de intervir também no gerenciamento do motor. O modelo oferece, ainda, volante multifuncional revestido de couro com apliques em preto brilhante, detalhes cromados e comandos do sistema de som “I-System”.