Volkswagen Magazine

Vrrr...booom!

É uma tarde quente de outono em Las Vegas, nos Estados Unidos. Ruídos poderosos de motor e nuvens mágicas de poeira geram um congestionamento de horas no centro da cidade, enquanto as engrenagens de quatro veículos do Campeonato Global de Rallycross (GRC) aceleram no corredor do box. O Beetle e outros três carros des- lizam lentamente em direção à linha de chegada do campeonato mais alucinante de todos os tempos. O evento é realizado em um monstruoso estacionamento, perto dos lendários cassinos para onde Frank Sinatra e Elvis Presley arrastavam multidões – e nos quais DJs cultuados como Deadmau5, Skrillex e David Guetta levam as pistas de dança à loucura com seus sets.

Mas nesse momento um som completamente diferente rouba a cena: Vrrr... boom! Ninguém nunca ouviu um Beetle de corrida uivar de forma tão impiedosa. Twiggy, uma moça empolgada, tem o corpo coberto de tatuagens e se posiciona perto do epicentro da pista, logo ao lado do ex-piloto Michael Andretti – hoje, à frente da equipe Volkswagen Andretti, que compete no GRC com dois Beetle. A moça tira uma selfie com o automobilista, solta um grito de emoção e levanta ligeiramente sua camiseta de rock star para exibir os seios a todos os mecânicos da Volkswagen. O sutiã dourado brilha em contraste com o sol do meio-dia.

Os mecânicos alemães se mostram indiferentes à atitude da jovem, enquanto o gerente técnico, Eduard Weidl, começa a pedalar sua bicicleta distraidamente em direção à linha de partida. É impossível decifrar a expressão facial de Weidl – talvez ele esteja apenas concentrado no desempenho do Beetle. O carro é um grande favorito do público e garotas como Twiggy vão à loucura nos pit stops. Provavelmente isso aconteça porque estamos em solo norte-americano: aqui, esse carro descolado, atrevido e compacto evoca emoções totalmente novas em relação ao sucessor do Herbie.

»Saltando de 0 a 100 km/h em apenas 2,2 segundos, o Beetle chega a 200 km/h. «

O modelo foi desenvolvido para a Volkswagen da América como um carro de Rallycross e possui um motor de quatro cilindros com 544 cavalos de potência (400 kW), transmissão de corrida sequencial de seis velocidades, suspensão McPherson e amortecedor de choque ZF. Saltando de 0 a 100 km/h em apenas 2,2 segundos, o Beetle consegue chegar a 200 km/h. E não apenas os atributos internos chamam a atenção. Seu exterior conta com aerofólio, traseira maior, suspensão rebaixada – o que torna o visual ainda mais esportivo.

Calmaria antes da largada: um dos mecânicos da Volkswagen aguarda o início da corrida.

Os dois pilotos da equipe Volkswagen fizeram uma bela temporada: Tanner Foust e Scott Speed (que já passou pela Fórmula 1) ganharam quatro de dez corridas. Agora, na 10ª e última etapa do Global Rallycross, estão levando o público ao delírio. Os fãs gritam quando Foust assume a liderança. Uma nuvem de poeira migra em direção ao Hotel Caesars Palace. Speed, o outro piloto da equipe, vence a segunda volta e solta um grito de guerra para festejar. Muita gente acena para eles e, com o smartphone em mãos, posta selfies dos pit stops; outros observam com absoluto fascínio a atividade minuciosa dos técnicos alemães – que, em seus macacões, se concentram no trabalho como se estivessem criando uma verdadeira obra de arte.

Beetle nas pistas.

 

O Campeonato Global de Rallycross nasceu em 2009, nos EUA. Com seus carros modificados, circuitos de mais de dez voltas e acesso do público ao paddock, logo se tornou um sucesso. Só no ano passado foram dez corridas. Nas duas primeiras, a Volkswagen participou com o Polo RX, e, da oitava em diante, com o Beetle – conquistando o segundo lugar na classificação por fabricantes.

 

Insanidade sobre rodas: o piloto Scott Speed ao lado de seu Beetle de 544 cavalos de potência; no fundo, o Harrah’s Hotel.

Os mecânicos dão duro embaixo dos Beetle esfumaçados – apaixonados pelo que fazem, são responsáveis pela criação de grandes feras da corrida. Eles redefinem o futuro do automobilismo: com saltos em rampas de 30 metros de largura, curvas ousadas, motores estrondosos e muita poeira, o Rallycross é um sopro de inovação para o setor. E carros pequenos e ágeis prometem dominar o esporte.

 

O evento é registrado com câmeras especiais capazes de captar imagens dinâmicas, permitindo o acesso a fotos que somente gênios da direção, como Stanley Kubrick, conseguiam fazer no passado. Elas seguem de perto os movimentos de Scott Speed e de Tanner Foust – um só pé é capaz de comandar o freio e pisar no acelerador com a lateral direita ao mesmo tempo. É a insanidade chegando às redes sociais, onde muitos conferem esse espetáculo automobilístico. Qualquer pessoa que acompa­nhe sua repercussão no Twitter e no Instagram já pode ter uma noção do potencial desse tipo de corrida. E descobrir o que realmente inspira os fãs: o tal estilo afiado de condução, os duelos radicais e os pneus dos carros perdendo a aderência ao asfalto.

Acessível para todo mundo, no GRC ninguém proíbe os fãs de se aproxima- rem dos pit stops das equipes para matar a curiosidade. Ninguém os impede de observar os mecânicos enquanto ajustam os carros de corrida. Até mesmo o reservado Nelson Piquet Jr. – que começou sua carreira no Rallycross em 2013 – pacientemente tira selfies com os fãs. Isso nos dá uma prévia de como será a nova geração de pilotos de corrida.

O Campeonato Global de Rallycross atrai todo tipo de público, especialmente em Las Vegas.

Ao anoitecer, a equipe do piloto norte-americano Ken Block se encontra do outro lado da pista para comemorar o resultado – ele acaba de vencer a final e garante o segundo lugar na classificação geral, logo atrás do finlandês Joni Wiman. Os filhos de Block se divertem na área dos mecânicos – que, provavelmente, passaram a infância brincando na esquina da rua, tendo como sonho de consumo o filme “Mad Max”. Deviam se imaginar transformando sucatas de metal em carros hot rod – modelos de décadas passadas modificados por entusiastas.


Scott Speed e Tanner Fost estão sentados no teto do carro que transporta os materiais, olhando para a pista de corrida. O sol se põe atrás do Hotel Bellagio. Em um determinado momento, Speed estende o braço e aponta para uma nuvem de poeira do deserto que se forma ao norte da cidade. Ela está lenta e majestosamente subindo em direção ao céu. A noite cai sobre Las Vegas.